Uso do Laser na Coloproctologia

Dr. José Homero Soares

O uso do laser na coloproctologia foi introduzido na década de 70, do século passado, incorporado aos endoscópios no tratamento de hemorragias digestivas, com a utilização do argônio em casos de retite actínica e na tunelização de tumores do intestino grosso e reto, com a utilização do Nd:YAG laser2 e mais recentemente com uso do Laser de Diodo3.

No final da década de 80, Soler, P. (1987)4, trouxe um novo protagonismo na utilização do LASER de CO2 nas patologias orificiais, traçando uma nova perspectiva no uso do LASER na Cirurgia Coloproctológica.

O uso do Laser nas principais patologias orificiais tais como: hemorroidectomias, fissurectomias, fistulectomias, trouxe um novo panorama no pós-operatório dessas patologias, em virtude da redução de dor no pós-operatório, redução do tempo de internação, maior mobilidade do paciente e retorno mais precoce ao trabalho, que são os atributos principais da cirurgia moderna, obedecendo aqueles princípios de procedimentos minimamente invasivos.

Uma outra aplicação do Laser de CO2 que trouxe grandes benefícios aos pacientes foi a sua utilização no tratamento cirúrgico do cisto sacro-coccígeo ou cisto pilonidal, onde o eletrocautério era bastante utilizado, porém, provocava edema e carbonização da ferida cirúrgica. A utilização de CO2, trouxe menor sangramento, menos dor no pós-operatório e principalmente uma melhor cicatrização tecidual.

O protagonismo mais relevante veio com a utilização do Laser de CO2, no tratamento do HPV anal, onde as ressecções e carbonização com eletrocautério, traziam um elevado risco de retrações cicatriciais e uma alta incidência de estenose do canal anal, de difícil resolução tardia, sem contar o insucesso no tratamento a longo do prazo, em virtude de recidivas. O uso do Laser de CO2 nessas situações, propiciou um novo direcionamento no planejamento operatório com redução da recidiva, ausência de complicações do tipo estenose, por conta do efeito da luz não determinar as retrações cicatriciais observadas com o eletrocautério e redução significativa da dor pós-operatória imediata e tardia e evidentemente um retorno mais precoce ao trabalho.

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Com o advento das novas técnicas de tratamento das hemorroidas com a utilização de sutura mecânica com endogrampeadores (PPH) e mais recentemente a desarterialização do plexo hemorroidário com uso do THD (transanal hemorroidopexy desarterialization), o Laser do CO2 não perdeu o seu espaço, nessas situações, pois ao invés de protagonista, surgiu como excelente coadjuvante nessas cirurgias, no tratamento das lesões secundárias, tais como: hemorroidas externas, plicomas anais, fissuras anais, presente na quase na totalidade dos casos.

Outras aplicações em hemorroidectomias mais recentes são associadas à utilização do laser de diodo1, sem a necessidade de ressecão. São novas perspectivas de tratamento ainda não totalmente disponíveis em nosso meio.

1– Maloku, H., e col. Laser Hemorrhoidoplasty Procedure vs Open Surgical Hemorrhoidectomy: a Trial Comparing 2 Treatments for Hemorrhoids of Third and Fourth Degree. Acta Inform Med. 2014 Dec; 22(6): 365–367.

2– Tranberg KG, e col. Palliation of colorectal carcinoma with the Nd-YAG laser. Eur J Surg. 1991 Jan;157(1):57-60.

3– Sherwood LA, e col.; Retrospective review of laser therapy for palliation of colorectal tumours. Eur J Oncol Nurs. 2006 Feb;10(1):30-8.

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